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Musical que honra vida e obra de Zé Ramalho se apresenta no Recife

ROBSON GOMES
robson.silva@diariodepernambuco.com.br

Há um brilho de faca, algo de místico, simbólico e metafórico quando o nome deste paraibano é mencionado. E esse artista singular – poeta, cantor, instrumentista e compositor – está tendo o privilégio de ver sua trajetória de mais de sete décadas de vida sendo contada nos palcos do teatro através de um musical. Estamos falando do atemporal Zé Ramalho, personagem do espetáculo O Admirável Sertão de Zé Ramalho, que desembarca no Recife neste fim de semana no Teatro do Parque, no bairro da Boa Vista.

No palco, nove atores foram incumbidos de navegar no cancioneiro deste artista, que ajuda a contar a história de Zé sob o ponto de vista de vários personagens. Eles abordam desde a infância em Brejo da Cruz, no interior da Paraíba, o nascimento do interesse pela música, passando por momentos dramáticos da biografia, quando ele passou fome, se prostituiu, até se tornar conhecido nacionalmente por seu talento no final dos anos 1970.

Em meio ao elenco, uma pernambucana se destaca por sua história de vida antes mesmo das cortinas se abrirem: Ceiça Moreno tem 77 anos. Sanfoneira de mão cheia, a artista de Moreno, na Região Metropolitana do Recife, foi revelada nacionalmente ao participar do reality The Voice+, da TV Globo, em 2021. E agora, estreando como atriz, é dela o papel de Cantadora, representando a força da mulher nordestina, entoando um aboio nos primeiros minutos do espetáculo.

À esquerda, a artista pernambucana Ceiça Moreno, sanfoneira de mão cheia, faz sua estreia no teatro – Foto: Priscila Prade/Divulgação

 “No começo, senti muita dificuldade. Mas o carinho de todos, desde a produção, elenco e equipe técnica, me fez caminhar na simplicidade de nada saber, mas com muita vontade de aprender. Apesar da minha idade, poder vivenciar a emoção de um musical me encorajou, me deu forças e o resultado disso vocês podem ver no palco”, conta Ceiça ao Diario, acrescentando que participa de vários outros momentos da montagem, entre eles, interpretando o hit Entre a Serpente e a Estrela (1992).

Para essa veterana artista com alma de estreante no teatro, a emoção de se apresentar na capital pernambucana tem um sabor diferente. “Chegar ao Recife, no Teatro do Parque, onde já me apresentei com corais em outras ocasiões, mas dessa vez como atriz na peça de um ídolo como Zé Ramalho, é muito especial! Minha família vai estar presente na plateia, meus coralistas, e isso está me dando um friozinho na barriga desde já”, declara a agora atriz.

Sucesso na televisão como a eterna Deusa da novela O Clone (2001), a paulista Adriana Lessa tem outra importante tarefa neste Admirável Sertão de Zé Ramalho: assumir o papel deixado pela saudosa Léa Garcia, falecida em agosto do ano passado, como o Avôhai – a quem o cantor nomeou seu avô ao juntar com a palavra pai: “É uma grande responsabilidade e alegria. Uma honra também poder dar continuidade a um trabalho que Léa iniciou. Claro que fico triste por ela não estar conosco fisicamente, mas sua presença se faz de forma muito pulsante no meu coração e por tudo que ela representa nas artes também. Não só para mim, para o nosso trabalho e também para o nosso país”.

Adriana Lessa representa o Avôhai no espetáculo. Papel era da saudosa Léa Garcia, falecida no ano passado. – Foto: Priscila Prade/Divulgação

Sem fazer questão de ser algo cronológico, o paraibano será revivido nas mais diferentes representações. “Vocês verão a personificação do Zé em cada artista ali se apresentando. Ora ele é uma mulher, ora um rapaz mais jovem, ora mais velho. Esse espetáculo é uma história de amor, mas também tem abandono. É uma trajetória muito forte, potente e é uma grande alegria poder incorporar, de alguma forma, esse grande mestre”, ressalta Lessa.

Regado a grandes hits desse artista como Admirável Gado Novo, Garoto de Aluguel, Pedra do Ingá e Chão de Giz, o musical de 70 minutos com texto de Pedro Kosovski e direção de Marco André Nunes traz toda a atmosfera que as canções e a persona de Zé Ramalho podem proporcionar, prometendo uma perfeita miscelânea de ritmos, sons, palavras e sensações. 

“Ter a aprovação do Zé quando ele viu o espetáculo no Rio de Janeiro foi muito importante para nós. O Zé para mim é uma referência de sofisticação, simplicidade, elegância, brasilidade, originalidade e criação. Um grande avatar brasileiro, um deus da nossa arte! E tem sido emocionante contar essa história tão especial a cada sessão”, define o produtor do espetáculo, Eduardo Barata.

SERVIÇO

O Admirável Sertão de Zé Ramalho
Sábado (4), às 20h; Domingo (5), às 19h, no Teatro do Parque.
Ingressos a partir de R$30, à venda online. 

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