Pedro Cunha | Especial para o Giro
Antes de fazer o Brasil dançar ao som de “Rebolation”, Léo Santana já tinha Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Exaltasamba entre suas referências musicais. As canções estavam nas reuniões de família e nos encontros com amigos, muito antes de o artista conquistar projeção nacional com o pagodão baiano. Agora, depois de quase duas décadas de carreira, o cantor recupera essas influências com o “paGGodin“, projeto que chega à segunda edição em Olinda neste domingo (8), na área externa do Pernambuco Centro de Convenções. Com palco 360° e participações de Zé Vaqueiro, Bruno Diegues e Thiago Soares, o show revela outra dimensão de sua formação musical, sem abandonar a identidade que o transformou em um dos principais nomes da música popular baiana.
Aos 38 anos, Léo tem uma trajetória que ajuda a contar parte das transformações do pagodão nas últimas duas décadas. Foi à frente do Parangolé que alcançou projeção nacional, especialmente com “Rebolation”, fenômeno de 2010 que ultrapassou as fronteiras da Bahia. Na carreira solo, iniciada em 2014, consolidou sua presença no mercado com sucessos como “Santinha” e “Zona de Perigo”, além de apresentações marcadas por coreografias e grandes estruturas. O “paGGodin” surge em um momento de maturidade artística, quando o baiano encontra espaço para explorar outras possibilidades de repertório.
A relação com o samba, segundo ele, é anterior à fama. “Todo mundo me conhece muito pelo pagodão baiano, pela energia lá em cima, pela dança, mas o samba e o pagode também estão muito presentes desde minha infância, na minha história e nas minhas referências musicais”, conta, em entrevista ao Giro. O grupo Revelação também aparece entre suas influências. “São músicas que fizeram parte de momentos da minha vida, das resenhas em família, dos encontros com os amigos”, recorda. Léo destaca ainda a amizade com Thiaguinho, a quem chama de padrinho do projeto.

No repertório, sucessos da própria carreira dividem espaço com releituras de “Reinventar”, conhecida na voz de Belo, e “Oceano”, de Djavan. Entre as faixas do projeto está “Cola Comigo e Desce Gelo”, lançada durante a primeira turnê. A iniciativa dialoga com uma tendência do mercado musical brasileiro: a criação de apresentações paralelas em que artistas consagrados experimentam sonoridades diferentes daquelas que os tornaram conhecidos. Léo, no entanto, faz questão de manter suas marcas. “Não podem faltar as minhas músicas, porque também quero trazer essa identidade do GG para dentro do ‘paGGodin'”, explica.
Uma das novidades desta edição é o palco 360°, que coloca o cantor no centro da plateia e procura reproduzir a proximidade de uma roda de samba. O formato contrasta com os grandes palcos frontais que marcaram boa parte de sua trajetória. “Eu gosto muito dessa troca olho no olho, de sentir a energia da galera pertinho de mim, de conseguir interagir com todo mundo”, comenta o baiano. A proposta de criar um ambiente mais intimista, entretanto, convive com a estrutura de um grande evento, característica do circuito de entretenimento em que ele se consolidou. “É nessa combinação entre informalidade e produção de grande porte que o ‘paGGodin’ busca sua identidade”.
A relação com Pernambuco também ocupa um lugar particular na história de Léo Santana, que recebeu o título de Cidadão Recifense em novembro de 2021. Presença frequente em festas e eventos do estado, ele construiu uma identificação com o público local. “Recife é uma cidade que respira música, tem uma cultura muito rica e um público que entende muito de festa”, afirma. Para ele, a homenagem representa um reconhecimento que ultrapassa os encontros nos palcos. O retorno com o novo show permite mostrar aos pernambucanos uma faceta diferente daquela associada às suas passagens pelo carnaval.
Neste domingo, as participações especiais ampliam a mistura de estilos. Zé Vaqueiro, representante do piseiro e do forró contemporâneo, divide a programação com Bruno Diegues, ex-integrante do Jeito Moleque, e Thiago Soares, ligado ao samba e ao pagode. Sobre possíveis surpresas, Léo evita antecipar detalhes. “A gente está preparando uma festa linda. Com um repertório especial, mas não posso dar muito spoiler”, conclui o cantor, deixando para o palco as respostas sobre o que preparou para o público.


