O Hospital de Câncer de Pernambuco (HCP) prepara uma nova etapa de expansão para ampliar a assistência oncológica diante do aumento dos casos da doença no estado. A instituição, que atende exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), prevê instalar dois novos aceleradores lineares para radioterapia e três tomógrafos até meados de 2027. Os investimentos foram apresentados pelo presidente do Conselho de Administração, Ricardo de Almeida, e pelo superintendente, Sidney Batista Neves, durante visita ao Diario de Pernambuco.
O HCP atende mais de 51% da população pernambucana dependente do SUS. Segundo estimativas citadas pela instituição, Pernambuco deverá registrar cerca de 24 mil novos casos de câncer por ano no triênio 2026-2028, o que reforça a necessidade de ampliar a capacidade hospitalar.


Viabilizados por doações, emendas parlamentares e parcerias institucionais, os novos equipamentos exigirão recursos adicionais para obras e infraestrutura, incluindo a construção de bunkers de proteção radiológica. Atualmente, o hospital responde por cerca de 47% das radioterapias, 33% das quimioterapias e 50% das cirurgias oncológicas realizadas em Pernambuco para pacientes dependentes do SUS. Em 2025, o número de cirurgias cresceu 33%, e a meta é ampliar também a oferta de quimioterapia.
No dia 10 de novembro, o HCP vai comemorar seus 81 anos com um jantar beneficente no Instituto Ricardo Brennand, na Várzea. “Celebrar 81 anos é reconhecer uma história construída por solidariedade e compromisso com a vida. Este encontro celebra essa trajetória e convida mais pessoas a se juntarem a nós para escrever os próximos capítulos dedicados a cuidar, acolher e transformar vidas”, destaca Ricardo de Almeida.
A gestão passou por uma etapa, entre 2023 e 2025, voltada à redução de custos e à reorganização dos processos. Para o período de 2026 a 2028, a prioridade será aumentar a eficiência hospitalar, atender mais pacientes, reduzir o tempo de internação e agilizar exames, procedimentos e altas médicas.
O HCP conta com 11 salas cirúrgicas, cerca de 289 médicos e aproximadamente 1.920 funcionários. A ocupação hospitalar varia entre 85% e 90%, com 250 a 260 pacientes internados. A emergência recebe de 45 a 75 pessoas, e o hospital pode atender mais de 350 pacientes simultaneamente. Diariamente, cerca de 2 mil pessoas circulam pela instituição, entre internação, emergência e ambulatórios.

Entre os tipos de câncer mais atendidos estão os de pele, mama e intestino, seguidos pelos de cabeça e pescoço e de próstata. Segundo a direção, o hospital concentra até 98% dos atendimentos de câncer de cabeça e pescoço e 100% dos casos de osteossarcoma registrados no estado.


Desde 5 de outubro, o serviço de diagnóstico por imagem funciona 24 horas, permitindo realizar exames de pacientes internados durante a noite e antecipar avaliações médicas. Outra iniciativa em desenvolvimento prevê analisar exames anatomopatológicos de pacientes do interior e agendar consultas sem deslocamentos desnecessários ao Recife.
A instituição também investe em transparência, com reorganização dos controles financeiros e auditoria das contas. As emendas parlamentares destinadas ao custeio passaram de uma média anual de R$ 2,5 milhões para R$ 19 milhões. Na área de ensino e pesquisa, o HCP desenvolve estudos clínicos e projetos científicos e recebeu R$ 13 milhões da Finep para iniciativas de pesquisa, ciência, tecnologia e inovação.

Fundado por 13 mulheres da sociedade pernambucana, o hospital busca fortalecer o vínculo com a população e ampliar o apoio de empresas, parlamentares e doadores. A direção também pretende consolidar um evento beneficente anual para arrecadar recursos e prestar contas à sociedade sobre os resultados alcançados.



