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Emicida celebra o legado de ‘AmarElo’ em gira final do álbum em Olinda

ROBSON GOMES
robson.silva@diariodepernambuco.com.br

O álbum ‘AmarElo’ foi um verdadeiro divisor de águas para Emicida – Foto: Diego Branco/Divulgação

Definitivamente, a vida do paulista Leandro Roque de Oliveira, mais conhecido como Emicida, aos 38 anos, pode ser dividida em A.A. e D.A., ou seja, antes e depois de AmarElo, o emblemático álbum lançado pelo cantor, compositor, rapper e pensador contemporâneo em outubro de 2019. Aliás, reduzi-lo a um disco é pouco, já que o artista conceitua este momento como um experimento social que foi disseminado em várias outras linguagens artísticas. E para fechar este ciclo marcante, ele traz a turnê de despedida AmarElo – A Gira Final nesta sexta-feira (26), para o palco do Classic Hall, em Olinda, a partir das 20h30.

Em conversa com a coluna Giro, Emicida relembra como esse trabalho impactou sua carreira, que atravessou até o duro período da pandemia de covid-19: “AmarElo tem um ciclo muito bonito e foi ganhando novos significados conforme os acontecimentos do mundo. Eu lembro que quando lançamos, não foi um disco que as pessoas gostassem de cara. Acho que estávamos propondo algo diferente. Mesmo a sonoridade, que chamei de neo samba, o público custou a entender. Com a pandemia, aquelas músicas foram se tornando necessárias para as pessoas. É como se elas precisassem daquele disco e não soubessem disso”.

Ao trazer um álbum ousado que levou as pessoas a buscarem suas origens de forma espiritual e reafirmarem suas identidades enquanto corpos pretos e periféricos, o rapper “furou a bolha” e alcançou lugares que nem imaginava. “Eu fico contente que o disco tenha tocado públicos tão diferentes entre si. Mas não é isso que rege o meu modo de compor ou criar. Eu acabo falando sobre que vejo, o que estou vivendo, lendo… Eu gosto de observar, de fazer um recorte de um momento, contar uma história”, justifica.

Legado e inspiração

Impulsionado pela faixa-título – gravada em parceria com Majur, Pabllo Vittar e com um sample do saudoso Belchior –  AmarElo desaguou em documentário na Netflix (indicado ao Emmy Internacional), um disco ao vivo e faturou um Grammy Latino, tornando-se o trabalho mais premiado do rap brasileiro. Por tudo isso, o músico conta que também foi transformado pela própria obra: “AmarElo me ajudou a encontrar a linguagem da minha música e tenho me sentido instigado por esse exercício de criação. Quando comecei as aulas de flauta transversal, um instrumento, que, inclusive, hoje eu toco nos shows, consegui me libertar de umas amarras bobas que eu mesmo criei, fugindo de uns estereótipos e caindo em outros. Essa coisa de neo samba é uma responsa, por isso fui estudar sério. Quero criar algo musical que dê orgulho aos meus ídolos”.

E que ídolos são esses? Emicida listou algumas obras que o inspiraram na concepção deste álbum: “Esses discos, entre alguns outros, que estavam ali com frequência na vitrola: Moacir Santos – Coisas (Som Livre, 2001); Wilson das Neves – O Som Sagrado de Wilson das Neves (Independente, 1996); Marcos Valle – Vento Sul (EMI, 1972); Hyldon – Deus, a Natureza e a Música (Universal Music, 1976); John Coltrane – A Love Supreme (Universal Music, 1965); Racionais MC’s – Nada Como um Dia Após o Outro Dia (Independente, 2002); e Rashid – Crise (Sony Music, 2018)”.

O rapper também fez uma análise sobre a atual cena do hip hop, que completou 50 anos formalmente no ano passado. “É importante saber diferenciar algumas coisas. Por exemplo, uma coisa é a cultura hip hop, isso é abrangente e abarca muitos universos; e outra coisa é o gênero musical rap e suas várias vertentes, que é um universo também amplo, mas, principalmente quando mais perto da indústria do que da cultura hip hop, menos amplo que o da cultura. Eu gosto do momento que vivemos em termos de inventividade. O público cresceu bastante, várias formas de se fazer rap coexistem, sempre haverão algumas que se tornam mais populares que outras, mas o importante é não nos esquecermos que dessa diversidade. Particularmente, eu acho que tem bastante gente foda trampando e isso é inspirador”, diz ele, que completa: “Há, nesse momento, uma geração feminina com a faca nos dentes rimando e isso tem sido a coisa mais empolgante de acompanhar”.

Ao subir num palco pernambucano para se despedir deste ciclo musical forte e necessário num verdadeiro culto musical (com direito a shows de abertura de DJ Nyack e dos artistas locais Joyce Alane e Mago de Tarso), Emicida vai mostrar ao público que, se ele venceu na vida, se ele chegou lá, todos podem. “Às vezes, tudo o que temos é a fé. E ela acaba sendo a nossa arma para enfrentar tempos tão duros. Talvez por isso as pessoas transformem os nossos shows nessa espécie de culto. Essas serão as últimas oportunidades para presenciar isso ao vivo”, convoca o rapper, que segue sonhando mais alto que drones. 

SERVIÇO

Emicida em AmarElo – A Gira Final
Nesta sexta-feira (26), no Classic Hall, a partir das 20h30.
Ingressos a partir de R$95, à venda online e no local.

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