A obra de J. Borges, um dos maiores nomes da xilogravura brasileira, voltou a ganhar destaque neste São João ao inspirar uma edição especial de latas de queijo do reino lançada para o período junino. A iniciativa une um símbolo tradicional das festas nordestinas ao legado do artista pernambucano, falecido em julho de 2024, e reforça o trabalho de preservação e difusão de sua produção artística.
Segundo Karina Dal Sasso, diretora de marketing da Vigor Alimentos, a proposta nasceu da conexão entre elementos profundamente enraizados na cultura regional. “O queijo do reino Jong e a obra de J. Borges compartilham uma mesma raiz cultural: ambos são símbolos vivos da tradição nordestina, presentes nos momentos de celebração e na construção da identidade regional”, afirma.
A escolha do artista para a homenagem, de acordo com a executiva, está diretamente relacionada à forma como sua obra retrata o cotidiano do Nordeste. Ao longo de décadas, J. Borges transformou em xilogravuras cenas marcadas por sanfoneiros, quadrilhas, festas populares e personagens do sertão, construindo um acervo reconhecido nacional e internacionalmente.

Para Pablo Borges, filho do artista e responsável por ajudar a preservar seu legado, a parceria possui um significado especial por reunir elementos que faziam parte da vida do pai. “Ele adorava São João, adorava queijo do reino. Quando surgiu essa ideia de ilustrar as latas com a xilogravura dele, foi muito satisfatório para a família. Depois da morte dele, queremos que a obra continue alcançando cada vez mais pessoas”, destaca.

A coleção reúne quatro trabalhos inspirados em temas recorrentes da produção do mestre pernambucano. Entre eles estão representações ligadas ao forró, aos sanfoneiros e aos festejos juninos. Pablo ressalta que a seleção também valorizou as obras coloridas, uma característica que agradava especialmente ao artista. “Além do preto e branco tradicional, eles incluíram o colorido, que era o que meu pai mais gostava. Ficou tudo muito bonito e bem representado”, avalia.

Quase dois anos após a morte de J. Borges, a família segue à frente da missão de preservar sua memória. Em Bezerros, o Memorial J. Borges recebe visitantes durante todo o ano e funciona como um espaço de valorização da trajetória do artista. “A responsabilidade é grande, mas é um orgulho continuar esse legado. Recebemos pessoas de vários lugares interessadas em conhecer a história dele e sua contribuição para a cultura brasileira”, afirma Pablo.



Ao imaginar como o pai reagiria à homenagem, o filho acredita que o sentimento seria de felicidade. “Ele iria gostar muito. Era apaixonado pelo São João e por tudo que envolve esse período”, diz. A percepção encontra eco em uma das últimas palavras deixadas pelo artista. Segundo Pablo, poucos dias antes de morrer, J. Borges resumiu sua trajetória em um único sentimento: “Realizado”.



