ANDRÉ GUERRA
Há muito tempo Hollywood busca a popularização de adaptações de videogames e, especialmente começo do século 21, os resultados não empolgavam a maior parte da crítica e, apesar de alguns bons resultados pontuais, como a longeva franquia Resident Evil, também não geravam grandes sucessos comerciais. Os últimos anos foram uma mudança de rumo nesse sentido, com a trilogia Sonic (2020, 2022 e 2024) e Super Mario Bros: O Filme (2023) figurando entre as maiores bilheterias desse filão em todos os tempos.
Estava até demorando para chegar, nesse cenário, a adaptação aguardada em live-action de Minecraft, já que o jogo é considerado o mais vendido da história e, principalmente, possui uma estética conhecida para além dos fanáticos pelo seu universo.
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Em cartaz nos cinemas a partir desta quinta-feira (3) nos cinemas do Recife, Um Filme Minecraft acompanha quatro personagens que acabam sendo transportados por um portal misterioso para o Mundo Superior, uma realidade paralela fantástica em que todo o cenário, objetos e até animais são cúbicos. Garrett “The Garbage Man” Garrison (vivido por Jason Momoa), Henry (Hansen), Natalie (Emma Myers) e Dawn (Danielle Brooks, indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo recente A Cor Púrpura) precisam achar um jeito de voltar para casa e, para isso, tem de enfrentar as criaturas bizarras que fazem parte desse mundo, já dominado por Steve (Jack Black), que chegou ali muito antes deles.
Quem comanda essa adaptação é o diretor Jared Hess, conhecido por comédias como Napoleon Dynamite (2004) e Nacho Libre (2006), que opta por uma abordagem leve e infantil tanto no trato do humor quanto da mitologia. Tudo é constantemente explicado, pensando no enorme público que não está familiarizado com o o videogame, e, ao mesmo tempo, frequentemente movimentado para não perder o ritmo frenético que esse tipo de transmutação de jogo para a tela tem tido nos projetos recentes.
Momoa e Black fazem de olho fechado esse tipo de trabalho abobalhado que Um Filme Minecraft exige e as crianças cumprem aquilo que se espera delas, ainda que nenhuma chame tanta atenção. Apesar da produção cara e da tentativa de propor uma narrativa minimamente engajante a partir do universo do game, o conjunto da obra é bastante descartável. Do ponto de vista de fotografia e encadeamento de ação, inclusive, tem menos a cara de um filme de aventura e mais de um longo comercial de brinquedo (o tratamento da imagem e a falta de qualquer senso real de perigo da trama não deixam mentir).
É provável que os fãs de Minecraft se divirtam não apenas com as referências, mas com a proposta imersiva de construção de mundo que a produção busca ampliar (e que, certamente, se desdobrará em uma nova franquia). Em termos de uma nova aventura, com personagens marcantes e um mitologia que se sustente no cinema, o filme tem muito menos a oferecer do que uma sucessão de punchlines publicitárias.