ANDRÉ GUERRA
Está marcada para esta segunda-feira (28) a posse do professor Roberto Pereira na Academia Pernambucana de Letras (APL). Eleito para ocupar a cadeira nº 35, o engenheiro e gestor público tomará posse às 19h, em cerimônia no auditório da instituição. A nomeação culmina uma trajetória marcada por contribuições decisivas ao turismo e à educação em Pernambuco.
Sucedendo o advogado e jornalista Marcos Vinicios Vilaça, de quem foi parceiro de projetos e amigo pessoal, Roberto Pereira tem formação em engenharia e passagens pela presidência da Empresa Pernambucana de Turismo (Empetur) e da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). No início de sua carreira, lecionou matemática no Colégio Radier e se destacou, como diretor da instituição, por incentivar atividades extracurriculares que estimulavam os alunos a conhecer e valorizar a riqueza turística e cultural do Recife.
“Meu objetivo sempre foi o estímulo à preservação do nosso patrimônio histórico e dos nossos valores ligados às políticas libertárias de Pernambuco”, afirma Roberto em entrevista ao Viver. “Minha formação universitária em Engenharia me proporcionou um olhar abrangente sobre as mais variadas formas de cultura, sem qualquer hierarquia. Ouso dizer que não há nenhuma manifestação que eu conheça que não tenha contemplado ao longo das minhas gestões”, acrescenta.
Filho do jornalista e escritor potiguar Nilo de Oliveira Pereira (1909–1992), Roberto carrega do pai importantes aprendizados, tanto na relação com a literatura quanto na formação ética. “Ele era um dos maiores nomes da nossa região ligados à história e foi, sem dúvida, a minha grande universidade”, exalta.
Durante a década de 1970, Roberto foi convidado pelo Diario para escrever artigos semanais. Ao todo, publicou mais de dois mil textos e foi presidente de honra das comemorações dos 170 anos do jornal, em 1995. “Desde então, escrevi bastante para outros jornais também, mas o Diario de Pernambuco tem uma importância fundamental na minha trajetória”, salienta.
Com a chegada à APL, Roberto Pereira espera contribuir, sobretudo, para a democratização e socialização da cultura. “Onde eu puder participar apoiando iniciativas plurais e que promovam a municipalização da Academia, o farei. As letras não podem ficar encasteladas. O saber precisa ser das pessoas, por meio das mais diversas expressões artísticas e literárias”, enfatiza o professor, cheio de expectativas para mais uma jornada dentro de seu rico percurso pelas palavras.


