O Recifest – Festival de Cinema da Diversidade Sexual e de Gênero chega à sua 11ª edição e inicia suas exibições nesta segunda-feira (22), no Cineteatro do Parque, onde segue até o dia 24. A programação continua no Cinema São Luiz, nos dias 26 e 27. No total, serão exibidos 26 curtas-metragens selecionados para as mostras competitivas, avaliados pelos júris Oficial e Popular. O festival é realizado pela Olinda Produções e pela Casa de Cinema de Olinda, com incentivo do Governo de Pernambuco através do Funcultura. Todas as sessões são gratuitas, com ingressos disponíveis na bilheteria até uma hora antes.
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Além das mostras competitivas, o Recifest 2025 apresenta a Mostra Internacional 1, com a sessão El Valor de Ser, no dia 23, às 19h, no Cineteatro do Parque. A programação reúne curtas LGBTQIA+ espanhóis que exploram amores, silêncios e identidades, com curadoria de Alexander Mello. A mostra conta com apoio da Embaixada da Espanha no Brasil e do Instituto Cervantes Recife. Terá ainda outra Mostra Internacional com filmes de vários países e a Mostra Diva – Diversidade em animação.
Outra atração é a exibição dos longas brasileiros As Filhas da Noite (2024), de Henrique Arruda, exibido na noite de abertura do Festival, às 20h, documentário no qual performers veteranas de Recife revisitam seus passados, e Salomé (2024), de André Antônio, marcada para o dia 27, às 19h, no Cinema São Luiz, na mesma noite da cerimônia de premiação.

O filme acompanha Cecília (Aura do Nascimento), uma modelo que retorna ao Recife e se envolve em uma seita dedicada à figura bíblica de Salomé. Vencedor de oito prêmios no 57º Festival de Brasília, incluindo Melhor Filme, Salomé adota estética inspirada em cineastas como Andy Warhol, Derek Jarman e Kenneth Anger, com protagonismo trans e abordagem inovadora sobre identidade, religiosidade e misticismo.
Ao longo de sua trajetória, o Recifest construiu um legado que amplifica as vozes LGBTQIAPN+. O festival tem se consolidado como espaço de imagens, sons e celebrações em defesa da diversidade, afirmando uma arte inclusiva, político-afetiva e em constante renovação. Além da programação de cinema, o festival realiza atividades em escolas públicas e comunidades do Recife, em parceria com a Rede Compaz – Centros Comunitários da Paz da Prefeitura do Recife.
Carla Francine, uma das coordenadoras, afirma que os debates e reflexões promovidos pelo Recifest atingem comunidades diversas. “Neste ano chegamos aos povos indígenas, iniciando nossas atividades nas Terras Pankararu, no Sertão do estado, com mostras e oficinas. Essa tem sido uma preocupação constante nossa, desde 2016 expandimos o Recifest para além da RMR, com o objetivo de chegar a novos públicos, aumentando o nosso alcance e promovendo o diálogo sobre direitos humanos a um público cada vez maior”, reflete.

As homenagens deste ano são dedicadas a Jean-Claude Bernardet (in memoriam) e à Nova Associação de Travestis e Pessoas Trans de Pernambuco (Natrape). Bernardet, crítico, cineasta, roteirista e ator, foi referência no cinema brasileiro e nos movimentos LGBTQIAPN+, além de fundador do Grupo Somos e participante da criação do jornal Lampião da Esquina.
Já a Natrape, criada em 2013, tornou-se referência em cidadania, oferecendo apoio social, saúde, empregabilidade e enfrentamento à transfobia estrutural. Outro homenageado será o ator, diretor, professor e gestor cultural, Vavá Schön-Paulino, falecido recentemente, que receberá homenagem dos amigos no palco do Recifest na noite de abertura.


