A violência é um fenômeno tão amplo e complexo quanto a dor que provoca. É justamente para desvendar essas múltiplas facetas que 14 mulheres se reuniram para escrever o terceiro volume de Violências: Dos Antigos Hábitos às Novas Formas, com um olhar especial sobre as opressões contemporâneas sofridas por mulheres, adolescentes e crianças. Luciana Santos, ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil, assina o prefácio.
Dividido em 12 artigos e mais de 200 páginas, o livro decodifica a arquitetura da violência de gênero em suas diversas dimensões: física, psicológica, digital, institucional e laboral.
“As violências se sofisticam à medida que a sociedade evolui. Com o avanço dos estudos, foi possível identificar características específicas de cada tipo, especialmente os assédios”, observa Andréa Keust, juíza no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) 6ª Região e uma das coordenadoras da obra.
Na capa, uma ilustração retrata uma menina feita de peças de quebra-cabeça que se desfazem no ar. Segundo Andréa, a imagem traduz o efeito corrosivo da violência na psique humana – em que traumas desmontam, peça por peça, a estrutura emocional e cognitiva de suas vítimas.
“Cada chamada de artigo tem uma peça do quebra-cabeça, trazendo uma mensagem única. Juntas, elas se complementam e formam o mosaico das violências”, explica a autora.
Ela destaca que estruturas opressivas permanecem longe de serem erradicadas, apesar dos esforços de parte da humanidade para combatê-las. “Sempre existiram, e mesmo com avanços tecnológicos e o aprofundamento do conhecimento sobre o macro e o microcosmo, ainda lutamos por direitos fundamentais, como a igualdade de gênero e de oportunidades”, lamenta.
O livro vai além do diagnóstico dos problemas, oferecendo ferramentas concretas para o enfrentamento. Para isso, reuniu especialistas em Direito, Psicologia, Saúde e Ciências Sociais, que construíram um sólido arsenal teórico e prático no combate às desigualdades de gênero.