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“Miguel faria 11 anos nesta segunda”, lembra Mirtes, grata pela referência feita por ‘O Agente Secreto’

ANDRÉ GUERRA
Fotos: Crysli Viana

São incontáveis as referências que já estão sendo descobertas e descascadas em O Agente Secreto desde que o filme entrou em cartaz. O longa de Kleber Mendonça Filho, protagonizado por Wagner Moura, inclui entre seus momentos marcantes um trecho que vem chamando a atenção. A cena em questão estabelece um evidente paralelo com o caso do menino Miguel, que, em 2020, aos 5 anos, caiu do 9º andar de um prédio no Recife ao ser deixado sob os cuidados de Sarí Corte Real, então patroa de sua mãe, Mirtes Renata Santana.

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O ocorrido segue no aguardo de decisões da Justiça, e a mãe decidiu que entraria na universidade para cursar Direito, a fim de tomar propriedade das leis e realizar o sonho de estudar. Prestes a finalmente se formar, ela concedeu uma entrevista exclusiva ao Diario para falar sobre a expectativa de ver sua história referenciada e eternizada na tela do cinema.

“Fiquei sabendo por um produtor canadense que viu o filme em Cannes e depois me contaram quase tudo sobre a cena. Então não vai ser uma surpresa quando eu finalmente for assistir”, revela Mirtes. “Eu agradeço demais a Kleber por trazer essa lembrança em O Agente Secreto. Uma vez que um caso parecido esteja em um filme, fica para sempre a mensagem do cuidado e da atenção às crianças para que algo assim não aconteça de novo”, diz Mirtes, salientando que, após esses anos, está aprendendo a se resguardar, mesmo que se mantenha firme por sua causa. “Apesar da necessidade de falar sempre do caso do meu filho para que ele não caia no esquecimento, é muito pesado para mim também, então estou aprendendo a dizer não e a cuidar de mim também”.

Emocionada, ela reforça o papel da arte para manter viva a memória de casos como o de Miguel, que faria 11 anos hoje. “É reconfortante ver os artistas fazendo sua parte nessa luta. Kleber, com o filme, Adriana Calcanhotto com a música 2 de Julho, e outros artistas que têm demonstrado solidariedade. Isso me dá forças para que volte com tudo”, enfatiza Mirtes.

Divulgação

Ane Oliva interpreta na ficção uma mãe cuja filha pequena morre atropelada ao ser deixada sob tutela da patroa, que, por sua vez, recebe um tratamento diferenciado pelas autoridades. “Eu choro muito todas as vezes que assisto ao meu teste de elenco. Colocar seu corpo para contar uma história dessa, que faz um paralelo com algo tão forte e real, é de enorme responsabilidade”, conta a atriz . “Essa mulher conseguiu transformar sua dor em resistência e eu a admiro profundamente por isso. Espero conhecê-la em breve”, projeta.

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