O pernambucano Marco Nanini retorna ao Recife, sua cidade natal, com o espetáculo Traidor, que será encenado no Teatro Luiz Mendonça entre os dias 17 e 19 de outubro. Escrita e dirigida por Gerald Thomas especialmente para o ator, a montagem transita entre tragédia e humor, otimismo e pessimismo, trazendo reflexões sobre o mundo contemporâneo.
A peça marca o reencontro de Nanini e Thomas após quase duas décadas da parceria em Um Circo de Rins e Fígados (2004), montagem premiada que marcou época. Desde então, o mundo passou por transformações profundas, como o trauma da pandemia, a revolução digital e rupturas democráticas, elementos que influenciam diretamente o texto de Traidor.
Na peça, Nanini interpreta um homem isolado em uma ilha, acusado de um crime que não cometeu. Em cena, ele dialoga com a própria consciência, revisita fantasmas pessoais e reflete sobre o passado, o presente e o futuro. O elenco é formado também por Hugo Lobo, Ricardo Oliveira e Wallace Lau, que dão forma a essas materializações da mente do protagonista.

Gerald Thomas define Traidor como um híbrido entre Kafka e Shakespeare, comparando o personagem a Joseph K, de O Processo, e a Próspero, de A Tempestade. Para o diretor, a intensidade de Nanini é o ponto central da obra: “Ter Marco Nanini pela frente é tudo. Que prazer é, mesmo que só de 18 em 18 anos, escrever pra ele e dirigi-lo”, destacou.


