DERICK SOUZA
Há 36 anos no universo da moda, os empresários Haldson Cursino e Eraldo Valença transformaram criatividade, parceria e resistência em marca. À frente da H&E, eles constroem uma trajetória que começou na indústria e hoje se consolida no varejo, com forte presença no Centro do Recife. “Desses 36 anos, vivemos 28 dentro de fábrica. A gente fabricava, criava os próprios designs e vendia para lojas com conceito em todo o Brasil”, relembra Haldson, ao destacar a identidade autoral que sempre guiou o trabalho da dupla.
Antes de chegar ao formato atual, a marca circulou pelos principais polos de moda do país, participando de eventos e showrooms em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza, Belo Horizonte, Manaus e Belém. As peças, segundo Haldson, sempre buscaram unir elegância e conforto, com um olhar atento para a autoestima feminina e masculina. “Desenvolvemos peças atemporais que realça a beleza de todos os nossos clientes em qualquer ocasião”, afirma.


Hoje, o negócio está instalado na Rua Santa Cecília, no bairro de São José, dentro da Galeria ChinChin, em pleno Centro do Recife. É dali que a H&E reforça sua conexão com a cultura local, especialmente no período carnavalesco, quando a loja ganha cores, texturas e referências regionais. “Nesta época, trabalhamos muito com a chita que é algo nosso. Pegamos o tecido, recortamos, aplicamos e fica como se fosse uma pintura”, explica Haldson, citando ainda itens como camisetas, bolsas, pochetes, doleiras, chapéus e acessórios sustentáveis para diferentes públicos.



Para o empresário, a folia deixou de ser apenas festa e se consolidou como uma verdadeira indústria em Pernambuco, e isso se reflete diretamente no negócio. “Hoje eu considero o carnaval um grande guincho de vendas. É a terceira melhor data do ano para o comércio, perdendo apenas para o Natal e Dia das Mães”, revela. Entre os destaques estão peças autorais como camisetas com aplicações da La Ursa, além de brincos e bolsas com várias estampas. “As pessoas fazem questão de vir à loja, provar, tocar, sentir o desejo de comprar”, completa.

Manter um comércio físico no Centro, porém, não é tarefa simples. Haldson reconhece as dificuldades diante das mudanças no perfil do consumidor e da migração de lojas para shoppings e plataformas online. Ainda assim, acredita na força do varejo de rua. “As pessoas estão voltando a gostar do contato cara a cara, de ser atendidas com calma, pelo dono da loja. Isso faz toda a diferença”, afirma. Atualmente, além da H&E, o casal mantém também a M Luiza Stores, voltada ao público plus size, ambas em São José.

Ao falar sobre os desafios ao longo da trajetória, Haldson cita a concorrência com produtos importados como um dos momentos mais difíceis. “Com o aumento dos chineses, foi um grande desafio concorrer com roupas vindas de fora, com mão de obra muito mais barata. Nosso aprendizado foi apostar na moda autoral e no preço acessível”, pontua. Para quem sonha em empreender no comércio popular, o conselho é direto: “Faça uma moda diferente. Não copie. Se fizer o que todo mundo faz, cai na mesmice. O segredo é ter identidade”.



Em um cenário marcado por mudanças constantes, Haldson e Eraldo seguem reinventando a própria história a cada estação, adaptando a loja às festas populares, aos desejos do público e às transformações do comércio urbano.


