Há 60 anos, em meio ao clima de repressão e golpe militar, nascia o MPB4. O grupo, antes chamado Quarteto do CPC por sua ligação com o movimento estudantil, foi obrigado a trocar de nome. Mal sabia que aquelas três letras se tornariam o rótulo de um dos gêneros mais ricos da cultura brasileira. De perseguidos a pioneiros, eles festejam bodas de diamante em apresentação no Teatro RioMar, nesta sexta-feira, às 21h.
Desde o quarteto original, composto por Aquiles, Miltinho e os saudosos Magro e Ruy Faria, a harmonia vocal do MPB4 foi instrumento de militância, que exaltava as raízes brasileiras enquanto denunciava os horrores da ditadura. O repertório logo incorporou canções de protesto e sambas engajados, como Partido Alto, de Chico Buarque.
“Foi uma música que chegou a ser censurada. Eu decorei a versão original, mas depois, quando entrei para o MPB4, descobri que havia uma mudança na letra”, relembra Paulo Malaguti Pauleira, que – ao lado de Dalmo Ferreira – compõe a formação atual, junto aos remanescentes Aquiles e Miltinho.
Antes de entrar para o MPB4 em 2012, Pauleira já tinha uma longa relação com o grupo. Não só como admirador, mas como parceiro de futebol e da cena musical carioca. Ele conquistou o respeito dos veteranos pela sua trajetória como fundador de grupos como Céu da Boca e o ainda ativo Arranco de Varsóvia.
Quando a necessidade de substituir Magro surgiu, Pauleira, que falava a mesma língua musical e afetiva do quarteto, acabou sendo uma escolha natural. “Aos poucos, fui percebendo a grandiosidade do MPB4 como porta-voz de uma geração brilhante da música popular brasileira”, conta o artista ao Viver.
O show que eles trazem ao Recife passeia pela história do nosso cancioneiro, equilibrando clássicos como Roda Viva (Chico Buarque) e Gira Girou (Milton Nascimento e Márcio Borges) com as regravações presentes no novo disco, a exemplo de O Cantador (Dorival Caymmi e Nelson Motta) e Catavento e Girassol (Guinga e Aldir Blanc). “Esta é uma canção fora do universo artístico convencional, que apresentamos de uma maneira muito particular, trazendo um toque especial para o show”, destaca.
O repertório pode até se renovar, mas o que nunca vai mudar é a postura combativa do MPB4. Um traço que Paulo Malaguti Pauleira reconhece também no DNA do público pernambucano. “Isso se fortalece justamente agora, em tempos de tantos desafios para o povo”, reflete. “A mensagem que levamos tem esse compromisso: um amor genuíno pela democracia e um olhar humanista”, pontua ele. Música, história e resistência em sintonia perfeita, assim é o MPB4.