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Em ‘Maria e o Cangaço’, Ísis Valverde incorpora a Rainha do Sertão

ANDRÉ GUERRA

É a partir do prisma feminino que um universo amplamente conhecido da iconografia brasileira é reapresentado em Maria e o Cangaço, que chega nesta sexta ao catálogo da Disney+. Em papel de forte transformação física, além de nítida entrega emocional, Ísis Valverde incorpora a mulher mais importante de um grupo que, até então, era inteiramente masculino.

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Dividida em seis episódios, a série é inspirada no livro Maria Bonita: Sexo, Violência e Mulheres no Cangaço, elogiada biografia escrita por Adriana Negreiros, que revela o caráter transgressor da companheira de Virgulino, o lendário Lampião (interpretado por Júlio Andrade). No elenco principal figuram ainda os pernambucanos Rubens Santos, Isadota Melo, Mohana Uchôa e Chandelly Braz. 

Maria e o Cangaço é dirigida por Sérgio Machado (de Cidade Baixa e Arca de Noé) e acompanha Maria Bonita e o bando de Lampião em seus últimos dias, mostrando as violências e dificuldades sofridas pelas mulheres do grupo, sobretudo pela perspectiva da maternidade, dentro desse cenário de fuga constante, brutalidade e escassês. Com a rigorosa fotografia de Adrian Tejido, responsável por Ainda Estou Aqui, a série possui uma ambiência bastante cinematográfica e cenas de ação que tentam se equilibrar entre a empolgação e o senso real de tragédia. 

Em entrevista exclusiva ao Viver, Sérgio Machado afirma que descobriu o livro através de Wagner Moura, que era inicialmente cotado para adaptá-lo junto com ele. “Ele estava encantado com essa obra e, por questões de agenda, essa partipação direta dele acabou não acontecendo. Mas, desde que li, fiquei encantado da mesma forma. Western é meu gênero favorito, em particular na sua variação ‘nordestern’, que são os filmes de cangaço, e adorei essa ideia de mostrar uma história tão masculina pelo prisma das mulheres”, conta o diretor. “Montamos uma equipe muito feminina também na produção, muito atenta a esse drama central das cangaceiras com relação à maternidade, que se torna o elemento principal do roteiro”, complementa Sérgio.

No mesmo papo, Ísis exalta a importância de mostrar o sofrimento das mulheres em uma história que marcou toda a cultura nordestina. “Eu tenho um imenso respeito pelo Sérgio e o envolvimento dele foi um dos principais motivos para que eu aceitasse fazer o papel. Para mim, é essencial contar a história sob o viés dessas mulheres, com toda a dor, erros e acertos de personagens que, na maioria das vezes, não tinham voz”, destaca. “Em uma época em que a região era totalmente esquecida e com acesso limitado, é importante que a gente retome assuntos como este e não esconda a história que de fato ali aconteceu”.

Caracterizada até os dentes como uma autêntica Maria Bonita, a atriz explica o enorme desafio de incorporar personagens históricos, enaltecendo o trabalho de toda a equipe e elenco para reconstruir seus passos. “Quando conseguimos chegar perto de fazer jus ao que eles foram, é uma vitória. Nosso trabalho na série foi nos aproximar ao máximo de todas aquelas mulheres. Espero que o público mergulhe tanto na história quanto nós”, torce Ísis, que, em Maria e o Cangaço, dá vida ao suor, sangue, luta, força e medos daquela que era consagrada como a Rainha do Sertão.

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