DERICK SOUZA // derick.souza@diariodepernambuco.com.br
A Diageo lançou, na tarde desta segunda-feira (14), em São Paulo, o Selo Drink Seguro, projeto pioneiro no Brasil que permite ao consumidor verificar a procedência e a integridade de garrafas da companhia por meio do celular. A iniciativa foi criada como uma ferramenta adicional de proteção diante do avanço do mercado ilegal de bebidas e pode ser utilizada sem a necessidade de baixar aplicativo.
O lançamento acontece meses após uma crise envolvendo bebidas contaminadas por metanol, que acendeu o alerta para os riscos do mercado ilegal no país. Altamente tóxica, a substância pode provocar alterações neurológicas, problemas de visão e insuficiência respiratória. Em Pernambuco, foram registrados 9 casos, sendo 6 mortes, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE).
O selo já está presente em 49 produtos e pode ser encontrado em marcas como Johnnie Walker, Buchanan’s, Old Parr, White Horse, Black & White, Bell’s, The Singleton, Talisker, Bulleit, Tanqueray, Gordon’s, Smirnoff, Cîroc, Ketel One, Don Julio, Zacapa e Baileys. Para fazer a verificação, basta apontar a câmera do smartphone para a identificação, que direciona o consumidor à plataforma Diageo.ID. Em poucos segundos, o sistema informa se o produto foi validado. Caso não seja identificado, a recomendação é não consumi-lo.

Ao Giro, a presidente da Diageo no Brasil, Paula Lindenberg, falou sobre a proposta de incorporar a checagem à rotina de quem compra bebidas. “É um convite que a gente está fazendo ao consumidor para mudar a maneira como ele compra: sempre escanear, ter certeza de que aquela garrafa vem do mercado formal, que está própria para o consumo, e aí partir para a celebração”, afirmou durante o lançamento. Segundo ela, a iniciativa soma uma nova camada de segurança aos controles de qualidade já adotados pela empresa.

Por trás da leitura feita pelo celular está uma tecnologia desenvolvida em parceria com a Securetrace. Cada unidade possui uma impressão digital única, com mais de 27 trilhões de combinações, analisada por inteligência artificial. Segundo Mário Nicoli Netto, CEO da Securetrace, o principal desafio foi garantir um nível elevado de segurança para uma solução que envolve diretamente a proteção do consumidor. “A gente não pode brincar com isso. Então, a gente tem que garantir o máximo possível de segurança que existe hoje no mundo”, disse.

As primeiras garrafas com a identificação começaram a circular no mercado em fevereiro deste ano. Desde então, cerca de 4 milhões de unidades são etiquetadas todos os meses. Atualmente, a tecnologia já está presente em 100% do portfólio importado da empresa e também na Smirnoff, engarrafada no Brasil, o que corresponde a aproximadamente 95% dos negócios de destilados da companhia no país.
A previsão é ampliar gradualmente a aplicação até alcançar todo o portfólio de destilados em 2027. A estratégia também envolve ações de educação e conscientização do consumidor, capacitação de bares, garçons e varejistas, além de iniciativas de segurança nos pontos de venda e cooperação com autoridades de fiscalização.


A medida chega em um cenário de preocupação com a falsificação de bebidas no país. Pesquisa da Euromonitor International encomendada pela Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD) aponta que produtos falsificados representam 4,7% do mercado total de destilados no Brasil. Apesar de ser uma parcela menor do mercado ilegal, é justamente a prática que mais preocupa pelo risco à saúde. “A grande proposta é que o consumidor tenha acesso à informação da inviolabilidade daquela garrafa através desse escaneamento”, explicou Mário. Segundo ele, caso uma unidade não seja validada, o consumidor poderá fazer uma denúncia, e as informações poderão ser analisadas pela empresa e, quando necessário, encaminhadas às autoridades.

A iniciativa também ganhou uma campanha nacional criada pela AlmapBBDO, com o mote “Escaneie, valide e celebre”. A ideia é transformar a verificação em um hábito antes do consumo e aproximar tecnologia e informação da rotina de compra. Uma pesquisa realizada pela própria Diageo reforça esse comportamento: 90% dos entrevistados disseram que um selo de verificação de procedência aumentaria a confiança ao consumir bebidas da categoria.
* O repórter viajou para São Paulo a convite da Diageo Brasil.


