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João Gomes encerra turnê com grande celebração da cultura nordestina no Recife

DERICK SOUZA (derick.souza@diariodepernambuco.com.br)

O Bairro do Recife foi palco de uma grande celebração das tradições juninas. Ontem, milhares de pessoas ocuparam a Avenida Alfredo Lisboa e os arredores para acompanhar o encerramento da turnê idealizada pelo cantor João Gomes. Depois de percorrer quatro cidades brasileiras e levar a identidade do Nordeste também à Europa, o projeto voltou às origens em uma edição histórica na capital pernambucana, reunindo música, gastronomia, artesanato e diferentes expressões artísticas em um mesmo circuito.

Ao Giro, o artista, natural de Serrita, no Sertão pernambucano, falou sobre o desejo de aproximar as novas gerações das festas tradicionais e manter vivas as referências que marcaram sua infância. “A gente tem que ter muito orgulho do que é nosso e receber as pessoas de fora de braços abertos. Aqui é o nosso Nordeste e a gente tem muita coisa bonita pra mostrar pra esse mundo inteiro”, reforçou.

Já o sanfoneiro Mestrinho, responsável por abrir a programação musical, aproveitou a passagem pelo Recife para adiantar que o projeto Dominguinhos 2 seguirá em turnê pelo Brasil, Estados Unidos, Europa e até em um cruzeiro temático. O cantor também destacou a relação com Pernambuco. “Sempre que volto aqui tenho várias lembranças desta terra maravilhosa”, afirmou. Para Marrom Brasileiro, João Gomes representa a continuidade da música nordestina. “Ele é a grande essência da gente. Vem dessa linhagem de Januário, Luiz Gonzaga e Dominguinhos. Daqui a 50, 100 anos, a nossa música está salva”, declarou.

Imagem: Karol Rodrigues/DP Foto

Ao longo do dia, quadrilhas juninas, bacamarteiros e grupos de bois dividiram espaço com artesãos, cozinheiros e pequenos empreendedores, formando um percurso que evidenciou a diversidade das expressões culturais de Pernambuco.

Entre o público, o sentimento era de orgulho. Kamila Barbosa, de Paulista, contou que fez questão de levar os filhos para acompanhar a programação como forma de apresentar a eles as raízes culturais de Pernambuco. “Estou aqui porque quero mostrar para meus filhos a nossa cultura, as expressões das nossas raízes. Por isso, trouxe eles para vivenciar um pouco desse momento junto comigo”, disse a mãe de Ravi e Heitor, de 4 e 10 anos.

Kamila Barbosa ao lado dos filhos, Ravi e Heitor – Imagem: Karol Rodrigues/DP Foto

A festa ocupou diferentes pontos do Recife Antigo. Os cortejos seguiram da Praça do Pilar até o Cais do Sertão, enquanto a Torre Malakoff recebeu apresentações de grupos de pífanos. A feira de empreendedores movimentou o entorno com produtos da economia criativa e, à noite, o Terminal Marítimo concentrou os shows de Mestrinho, da Escola de Oito Baixos de Caruaru e do anfitrião, que apresentou o repertório de Pé de Serrita, inspirado nas referências musicais que marcaram sua infância.

Aos 23 anos, João Gomes já viu sua música atravessar fronteiras. Do interior para os palcos do Brasil e da Europa, o cantor voltou ao ponto de partida e fez do encerramento da temporada uma celebração da identidade nordestina, reafirmando que suas raízes continuam sendo o alicerce de sua trajetória.

Imagem: Karol Rodrigues/DP Foto
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