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Geraldinho Lins abre temporada junina com novo audiovisual e até 50 shows pelo Nordeste

PEDRO CUNHA / ESPECIAL PARA GIRO

Poucos artistas traduzem tão bem o sentimento do São João pernambucano quanto Geraldinho Lins. Neste sábado (30), em pleno clima junino, o cantor grava um novo projeto audiovisual durante a sexta edição do tradicional Arraiá de Geraldinho, no Mirante do Paço, no Bairro do Recife. O registro chega em um momento especial da carreira do artista, que completa 35 anos de estrada e se prepara para mais uma intensa temporada de apresentações pelos arraiais de Pernambuco e da Paraíba.

Mais do que um novo trabalho, diz ele entrevista ao Giro, a gravação funciona como uma celebração da trajetória de um artista que construiu sua história tendo o forró como identidade, linguagem e missão. No repertório, estarão presentes clássicos que marcaram gerações de fãs, além de canções inéditas, como “É Muito Massa, É Muito Leve o Teu Sorriso”, composta em parceria com Luciano Barros.

Natural de Serra Talhada e com formação artística também profundamente ligada a Caruaru, Geraldinho carrega na música a diversidade cultural de Pernambuco. Entre o Sertão e o litoral, encontrou um caminho próprio dentro da música nordestina. “Eu sou do sertão, mas fui criado no litoral, então tenho essa identidade cultural muito forte dentro do aspecto musical”, resume.

Essa mistura ajudou a construir uma obra autoral que já ultrapassa 200 canções e atravessa diferentes manifestações culturais do estado. Embora seja identificado principalmente com o forró, Geraldinho também dialoga com ritmos que fazem parte da formação musical nordestina, estabelecendo uma conexão que vai além das festas juninas. O São João, no entanto, continua ocupando um lugar especial nessa história.

“Continua sendo um momento de inspiração, contemplação, orgulho e fortalecimento da minha identidade como nordestino e artista pernambucano. O São João representa a junção de vários fatores que identificam nossa nação através da música, da dança, da vestimenta, da comida e da religiosidade. É um conjunto de tradições que passa por gerações e se fortalece a cada ano”, afirma.

Ao longo das últimas décadas, o artista acompanhou as transformações do mercado fonográfico e das festas populares. Para ele, apesar das mudanças e da chegada de novos estilos às programações juninas, o forró segue firme graças ao apoio do público e ao fortalecimento das tradições.

Geraldinho Lins / Divulgação

“Já passei por várias modas e ondas musicais. O forró e as festas juninas vêm recebendo uma atenção merecida por parte de alguns governantes e principalmente do povo, que nunca deixou de valorizar suas raízes”, avalia o cantor. “Vejo uma volta às grandes festas do interior e das capitais. O forró se atualiza, se moderniza, resiste e permanece sem perder sua essência”.

Quando fala das memórias afetivas ligadas ao período junino, Geraldinho volta à infância. As lembranças passam por cidades que marcaram sua formação, como Serra Talhada, Garanhuns e Caruaru, e por artistas que ajudaram a despertar sua paixão pela música. “Quando criança, fiquei encantado assistindo aos shows do Trio Nordestino e do Quinteto Violado em Caruaru. Na carreira artística também vivi momentos inesquecíveis, como tocar na abertura do São João de Caruaru para quase 100 mil pessoas”, recorda.

Essa conexão emocional com a cultura popular ajuda a explicar a identificação que o público mantém com suas canções. Em seus shows, Geraldinho transforma experiências cotidianas em música, falando de amor, saudade, encontros, desencontros e amizade.

Geraldinho Lins: Foto: Bieco Garcia

“Faço show para as pessoas. Componho sobre a vida real. As pessoas se enxergam nessas histórias e levam essas canções para suas vidas. Dentro do universo do forró, procuro explorar músicas que façam todo mundo cantar e dançar. O forró nos presenteia com emoção, romantismo e alegria. Isso aproxima o público”, diz.

Para este ano, a expectativa é repetir a intensa agenda do ano passado, com cerca de 45 a 50 apresentações durante o ciclo junino. Uma maratona que, longe de cansar, reforça o vínculo do artista com a festa que ajudou a moldar sua trajetória. “Eu vivo do forró há mais de 30 anos. Já toquei em todos os ambientes e épocas do ano. O povo gosta, apoia e mantém essa cultura viva. Esse é o principal elemento para que o forró continue forte e perene”, destaca.

Enquanto os arraiais se espalham pelo Nordeste, Geraldinho segue fazendo aquilo que sempre fez melhor: transformar tradição em encontro. E neste sábado, diante do público que o acompanha há décadas, eternizar mais um capítulo dessa história em forma de música.

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