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57ª Paixão de Cristo de Nova Jerusalém celebra centenário de Plínio Pacheco

DERICK SOUZA (derick.souza@diariodepernambuco.com.br)

No ano em que celebra o centenário de Plínio Pacheco, a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém chega à sua 57ª edição reafirmando a força de um legado que atravessa gerações. Idealizador do maior teatro ao ar livre do mundo, o dramaturgo segue como a alma de um espetáculo que transforma o Agreste pernambucano em palco de fé, arte e grandiosidade.

Encenada na cidade-teatro de Nova Jerusalém, a cerca de 180 quilômetros do Recife, a temporada 2026 começa oficialmente neste sábado (28) e segue até o próximo (4), devendo atrair cerca de 60 mil visitantes. Entre muralhas de pedra e cenários monumentais, o público é conduzido por uma experiência imersiva que, há décadas, se mantém como uma das mais tradicionais do país.

Imagem: Karol Rodrigues/DP Foto

Desde a inauguração, em 1968, o espetáculo ocupa nove palcos distribuídos pela cidade cenográfica, em uma área de 100 mil metros quadrados e mobiliza uma grande operação artística. Ao todo, são centenas de atores e mais de 400 figurantes envolvidos na encenação, que recria a trajetória de Jesus Cristo com forte apelo visual e emocional.

Nesta edição, o papel principal fica por conta de Dudu Azevedo, que assume o desafio de interpretar Jesus em meio a um elenco de peso, com nomes como Beth Goulart (Maria), Marcelo Serrado (Pilatos) e Carlo Porto (Herodes).

Nos últimos dez anos, o personagem principal foi vivido por nomes como Igor Rickli (2016), Rômulo Arantes Neto (2017), Renato Góes (2018), Juliano Cazarré (2019), Caco Ciocler (2020), Gabriel Braga Nunes (2022), Klebber Toledo (2023), Allan Souza Lima (2024) e, no ano passado, José Loreto, o que reforça o peso simbólico do papel.

Duzu Azevedo como Jesus Cristo – Imagem: Karol Rodrigues/DP Foto

Além disso, a edição deste ano traz uma novidade na cena final do espetáculo. Pela primeira vez, a ascensão de Jesus deve levá-lo a desaparecer completamente no céu, ampliando um dos momentos mais emblemáticos da encenação, que até então se limitava a uma elevação de poucos metros acima do cenário.

Ao Diario, a vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause, que acompanhou de perto a montagem durante a pré-estreia, comentou sobre a importância da celebração. “Paixão de Cristo de Nova Jerusalém faz parte da história de Pernambuco e tem uma capacidade enorme de se reinventar, além de mobilizar muita gente para fazer desse espetáculo algo que entra para a história não só nossa, mas mundial. Esses 100 anos de Plínio refletem a dimensão que é o espetáculo”, ressaltou.

Imagem: Karol Rodrigues/DP Foto

Já o protagonista da temporada, Dudu Azevedo, falou sobre o desafio de revisitar um personagem que já interpretou anteriormente na televisão. “Cada papel, cada convite que chega eu agradeço a oportunidade e procuro tridimensionar, dar uma perspectiva, humanizá-los. Humanizar este trabalho é uma forma de aproximar Jesus Cristo da realidade e fazer com que ela seja um ser humano possível para todos nós”, pontua.

No elenco, Beth Goulart destacou o convite para interpretar Maria como um desafio artístico e pessoal. “É um chamado de amor. Viver Maria é uma oportunidade de unir arte e espiritualidade, celebrando a força do feminino e a devoção cristã”, afirmou. A atriz também ressaltou a entrega emocional ao papel, revelando que buscou se conectar profundamente com a personagem, sentindo de forma intensa as dores vividas por Maria ao longo da encenação.

Mais do que uma encenação, a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém se reafirma, em 2026, como um patrimônio cultural vivo, que une tradição e renovação sob as luzes de um espetáculo que segue mobilizando público, artistas e a memória afetiva de Pernambuco.

Encerramento da 57ª Paixão de Cristo – Imagem: Karol Rodrigues/DP Foto
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