DERICK SOUZA
Com mais de 1,3 milhão de visitantes acumulados e cerca de 50 mil alunos formados em sua escola de música e dança, o Paço do Frevo completa 12 anos de atividades nesta segunda-feira (9), Dia do Frevo. Localizado no coração doo Recife, o equipamento se consolidou como o museu público mais visitado de Pernambuco nos últimos três anos, reforçando seu papel como centro de referência dedicado ao ritmo que é Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, título concedido pela Unesco em 5 de dezembro de 2012.
Reconhecido por sua expressão artística vibrante no Carnaval de Recife e Olinda, o frevo mistura música, dança e elementos da capoeira, sendo valorizado internacionalmente como símbolo de identidade social. Ao longo de mais de uma década, o Paço se tornou um espaço permanente de salvaguarda desse patrimônio, com programação artística contínua, exposições, centro de documentação e uma escola que funciona de terça a domingo.

Segundo a diretora do equipamento, Luciana Félix, a trajetória é marcada por continuidade e crescimento. “É uma data muito significativa. Muitos projetos abrem e não conseguem se sustentar, e a gente nunca fechou nesses 12 anos. Hoje somos o museu público mais visitado do estado e tivemos quase 230 mil visitantes só no último ano”, destaca. Ela ressalta ainda a política de gratuidade, que atende a maior parte do público, e a atuação do espaço para além do Carnaval, com atividades durante todo o ano.
Para 2026, a diretora aponta como destaque o fortalecimento do selo Paço do Frevo e do projeto Fábrica de Frevo, iniciativa de formação que oferece bolsas para novos artistas da música e da dança, além de mentoria e suporte para inserção no mercado. Os projetos selecionados ganham visibilidade em plataformas digitais, ampliando o alcance da produção contemporânea do gênero.

Embora seja um equipamento da Prefeitura do Recife, o local é administrado pelo IDG (Instituto de Desenvolvimento e Gestão), organização social responsável por instituições como o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, e o Museu das Favelas, em São Paulo. Diretor-geral do instituto, Ricardo Piquet explica que o modelo de gestão é baseado em parceria com o poder público. “As diretrizes são definidas pela prefeitura, e a gente implementa os projetos, mantém o espaço e busca recursos. Esse modelo permite agilidade e garante o funcionamento contínuo do equipamento”, afirma.

Piquet lembra que o Paço nasceu com a missão de manter o frevo ativo durante todo o ano, em sintonia com o reconhecimento internacional do ritmo. “Quando o frevo se tornou patrimônio da humanidade, surgiu a necessidade de um centro de referência e salvaguarda. O Paço cumpre esse papel, reunindo museu, escola, documentação e programação artística no mesmo espaço”, destaca.



A celebração dos 12 anos acontece ao longo desta segunda-feira (9), com entrada gratuita, vivências de música e dança e show na Praça do Arsenal, reforçando o caráter festivo de um equipamento que, segundo Luciana, pode ser resumido em uma palavra: “força”.


