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“Meu amor por Pernambuco não se dimensiona e cantar no Galo é um sonho”, diz Ivete ao Giro

PEDRO CUNHA
Especial para o Giro

O Carnaval, para Ivete Sangalo, não começa no calendário: começa no corpo, na ansiedade que tira o sono, no cuidado diário que prepara voz, mente e músculos para o encontro com a multidão. Quando a cantora fala de Pernambuco, o tom muda de ritmo e ganha textura de memória afetiva. Neste domingo (8), a baiana, uma das maiores vozes da folia brasileira, volta ao estado como uma das atrações do Olinda Beer, na área externa do Pernambuco Centro de Convenções, trazendo no repertório novas apostas e um vínculo antigo, que ela define nesta entrevista exclusiva ao Giro, como sem medidas: “Meu amor por essa terra não se dimensiona”.

Ao comparar Bahia e Pernambuco, Ivete recusa qualquer régua de diferença. Prefere a metáfora da família. “Amor e relacionamento a gente não dimensiona; são como filhos”, diz. A cantora também afirma ser acolhida e cuidada em Salvador e viver a mesma experiência em solo pernambucano. Para ela, o que muda não é o valor do afeto, mas a característica de cada lugar: “O jeito de cantar junto, de reagir, de pulsar. Me atenho à importância de estar naquele palco e cantar para aquelas pessoas”.

No caso de Pernambuco, o laço é também de origem. Filha de mãe pernambucana, de Petrolina, Ivete cresceu em contato com referências culturais do estado dentro de casa. Essa herança virou ponte direta com o público. “Minha mãe foi uma mulher determinante na construção de quem eu sou. Vivo em contato com Pernambuco desde sempre”, pontua. A relação da filha Juazeiro com a terra dos altos coqueiros se ampliou com a carreira: sucessivos shows, recepção calorosa, amigos artistas locais e o título de cidadã pernambucana fortaleceram o elo. “Existe um mel e um açúcar embolado aí. Dá um caldo doce”, reforça, em palavras que traduzem a intimidade com Recife, Olinda e cidades do interior.

Ivete reconhece que suas predileções rítmicas dialogam com a diversidade pernambucana e que, ao pensar o Carnaval, vulgo lançamentos de “músicas chicletes”, não trabalha com fórmula fechada, mas explorando a diversidade musical do país. “Temos todos os ventos rítmicos soprando a favor dessa festa”, afirma, destacando que a escolha dos arranjos passa pela intuição e pelo sentimento do momento. Ao abordar a relação entre o axé e o frevo, a cantora fala da afinidade entre os dois ritmos: “O axé carrega em sua essência uma influência marcante do frevo, enquanto o frevo evoca memórias afetivas e reproduz a alegria vibrante que a festa pede”.

Para o Carnaval deste ano, a artista chega municiada de novidades. Depois do impacto de Energia de gostosa e o Verão Bateu em Minha Porta, que marcou a folia anterior, ela aposta agora em duas faixas: Vampirinha e Oxente, é o verão, parceria com Xanddy Harmonia.

Preparação é rotina diária

A maratona de shows de Ivete não é enfrentada com improviso. Ela descreve a preparação como um modo de vida contínuo, não um protocolo de temporada. Cuida do corpo, da voz e da saúde emocional ao longo de todo o ano. “Seria irresponsável eu só atribuir ao meu corpo cuidados quando ele está submetido à maratona”.

Ao ser perguntada sobre a escolha do figurino, a artista conta que participa de cada detalhe. Cores, brilho e narrativa estética precisam conversar com a ideia de alegria que ela associa à festa. O conforto, diz, é regra de ouro. Entre glamour e mobilidade, o look precisa permitir a entrega total. “As pessoas criam uma expectativa grande para saber como estou vestida. Às vezes, aquele tema do Carnaval está associado ao trabalho e à música que estamos trazendo; outras vezes não”.

Mesmo depois de tantos carnavais históricos, Ivete assume que o frio na barriga permanece. “Já estou sem dormir”, confessa. Em Pernambuco, onde ela define cada apresentação como memorável, a expectativa ganha peso extra. Sem eleger um único momento inesquecível, a cantora prefere a soma: “Cada show no estado entra para a coleção de ápices”.

Para quem vai encontrá-la no Olinda Beer, a promessa é essa: não apenas mais um show de Carnaval, mas mais um capítulo de uma relação que, como ela insiste, não se mede. No estado, Ivete ainda projeta novos sonhos, como o de um dia arrastar multidões no Galo da Madrugada. “Tenho certeza que seria uma das experiências mais lindas da minha vida”. Desejo que ela trata não como hipótese distante, mas como destino afetivo a cumprir pelas ruas do centro do Recife.

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