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Saiba como funciona a estrutura dos ‘Ensaios da Anitta’, que chega ao Recife neste sábado (17)

Antes de Anitta subir ao palco usando figurino com valor que chega à casa das três cifras cantando “Avisa Lá” e da multidão de fãs ocupar cada metro do espaço, existe uma engrenagem silenciosa, complexa e milimetricamente planejada, mas quase invisível para quem chega apenas para o show. Neste sábado (17), quando a cantora se apresenta na área externa do Pernambuco Centro de Convenções com a turnê Ensaios da Anitta, o público vê o resultado final de uma maratona que começa muito antes da temporada de verão e envolve milhares de pessoas, toneladas de equipamentos e uma logística que cruza o país.

O planejamento da estrutura dos Ensaios começa com meses de antecedência, ainda no primeiro semestre do ano anterior. “A gente não está falando só de um show, mas de uma turnê nacional. Envolve desde a definição do conceito até acordos com parceiros locais, criação de projetos técnicos, logística de transporte, legalizações e autorizações. É um trabalho de longo prazo para que, quando a temporada começar, tudo já esteja muito bem mapeado”, explica Diogo Duílio ao Giro, um dos sócios do Grupo Onda, empresa que produz e realiza o evento.

Montar um show desse porte em uma capital como o Recife traz desafios específicos. Para ele, apesar da boa infraestrutura da cidade, questões como trânsito, acessos, janelas de carga e descarga e restrições de horário exigem um planejamento rigoroso e pouco visível ao público. “Estamos falando de um volume muito grande de equipamentos e de uma operação que precisa acontecer em prazos curtos”, pontua Duílio. O maior desafio, conta o organizador, é orquestrar tudo isso sem impactar a rotina urbana e garantindo que a montagem aconteça dentro do cronograma.

A estrutura dos Ensaios envolve áreas que precisam funcionar em total sintonia e, de acordo com Duílio, qualquer falha pode comprometer a experiência. Palco, som e iluminação exigem precisão técnica, enquanto segurança e fluxo de público são determinantes não apenas para o conforto, mas para a viabilidade do evento. “O evento só funciona se tudo estiver integrado. O maior esforço está na coordenação entre equipes diferentes, que precisam operar como um único organismo”, destaca.

Para o show deste sábado, a operação mobiliza cerca de duas mil pessoas, considerando equipes da turnê, técnicos, produção local, segurança, atendimento, bares, limpeza e serviços diversos. Para viabilizar tudo isso, aproximadamente 100 toneladas de equipamentos chegaram à cidade. São 10 carretas que cruzam o Brasil levando palco, som e luz, seguindo um roteiro previamente planejado. Parte da equipe e a artista se deslocam por via aérea, enquanto a estrutura física segue por terra, muitas vezes atendendo diferentes cidades no mesmo fim de semana. Uma logística que exige precisão quase industrial.

Diogo Duílio, um dos sócios do Grupo Onda – Foto: Divulgação

A segurança é outro eixo central da operação. Diogo detalha que o evento segue todos os protocolos exigidos pelos órgãos públicos, com planos de evacuação, brigadistas, postos médicos, controle de acesso e monitoramento. Além disso, há iniciativas específicas de acolhimento, com atendimento jurídico e psicológico para situações de desconforto emocional ou violência, além de pontos de hidratação gratuita distribuídos pelo espaço; medidas que respondem, também, às críticas e discussões recentes sobre grandes eventos e cuidado com o público.

Do início da montagem ao encerramento, são dezenas de horas de operação contínua, com equipes trabalhando em escalas para garantir que cada etapa aconteça sem interrupções. Todo esse esforço também se reflete fora do espaço do show. “O impacto na economia local é muito significativo. A gente percebe aumento na ocupação hoteleira, mais demanda por transporte, bares e restaurantes cheios e uma cadeia grande de fornecedores locais sendo ativada”, observa Duílio.

Para o público do Recife, a expectativa é de uma experiência marcada pela mesma estrutura robusta, impacto visual, conforto e segurança. “Mas tem algo que nenhuma produção consegue fabricar: a energia do público. E o Recife sempre transforma o show em algo ainda mais especial”, conclui Diogo. No fim das contas, quando as luzes se apagam e o som toma conta do espaço, o que se vê no palco é apenas a parte mais visível de um sistema complexo. Um trabalho que sustenta o espetáculo, mas que raramente entra nos holofotes.

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