ANDRÉ GUERRA
Exibido na competição de longas da 12ª Mostra de Cinema de Gostoso, no Rio Grande do Norte, o documentário Buenosaires apresenta de forma panorâmica e afetuosa o município repleto de singularidades — a começar pelo nome —, localizado no interior de Pernambuco. Novo trabalho da diretora pernambucana Tuca Siqueira (Amores de Chumbo), o filme revela a realidade dos habitantes de Buenos Aires, passando por curiosidades esportivas, culinárias e festivas.
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O argumento surgiu em 2015, quando a cineasta teve contato com o livro Buenos Aires, Brasil, do fotógrafo Josivan Rodrigues. Apesar de já conhecer a existência do município, Tuca Siqueira passou a se interessar ainda mais por suas peculiaridades.
“Frequentei muito a cidade e fiquei muito próxima dessa pesquisa, que durou muitos anos. Fiz várias imagens ao longo desse tempo e, em alguns casos, nem pretendia filmar”, relembra a diretora. “Existem várias formas de fazer documentário e uma delas, a minha, é se envolver bastante com as pessoas. É uma relação diferente da que estabelecia, por exemplo, Eduardo Coutinho, nossa grande referência brasileira nesse segmento”.

Placas de carros com o nome da cidade, bandeiras argentinas, músicas e danças são mostradas para que o público se aproxime daquele universo que parece simultaneamente comum e pitoresco. As filmagens atravessaram duas Copas do Mundo, o que gerou ainda mais material para a equipe brincar e construir significados. Buenosaires não necessariamente encontra universalidade nesse processo, já que o afeto e a honestidade com que a cineasta se aproximou daqueles personagens se traduzem na tela mais como uma sucessão de curiosidades do que como um retrato aprofundado de um grupo de pessoas.
De acordo com Tuca, a intenção era justamente realizar um registro abrangente da marca cultural daquela localidade, sem a necessidade de apresentar um grande conflito a ser investigado. “Durante todo o processo de produção, cheguei a ouvir de uma produtora que o filme dificilmente conseguiria espaço neste momento de tantas pautas urgentes. ‘O mundo está se acabando’, ela me disse, e o meu filme aponta numa direção de sonhos”, conta. “Vejo como um trabalho muito verdadeiro, que celebra a identidade de um povo, sem julgamentos”.
Buenosaires tem previsão de estrear nos cinemas em meados de 2026, próximo à Copa do Mundo.


