ALLAN LOPES
Em Três Graças, Lígia (Dira Paes) é a matriarca da família Maria das Graças na nova novela das nove. No folhetim, criado e escrito por Aguinaldo Silva, Virgílio Silva e Zé Dassilva, a personagem sofre de uma grave doença chamada Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP).
Mãe solo, ela encarou de cabeça erguida os desafios de criar Gerluce (Sophie Charlotte) sem o apoio de Joaquim (Marcos Palmeira), um sujeito solitário, de comportamento esquisito, que nunca quis assumir a paternidade.
Mulher doce, resiliente e com grande capacidade de enfrentar adversidades, Lígia precisou se afastar do trabalho como cuidadora de Josefa (Arlete Salles) por causa desse problema de saúde.

Globo/ Estevam Avellar)
Assim como na trama, os primeiros sintomas da HAP na vida real – falta de ar ao esforço, cansaço excessivo e dor no peito – são comuns e facilmente confundidos com outras condições, como asma ou problemas cardíacos. De acordo com a Dra. Márcia Datz Abadi, diretora médica da MSD Brasil, esse caráter inespecífico é uma das maiores barreiras.
“As pesquisas mostram que, em média, os pacientes levam de 7 a 12 meses para procurar um médico após os sintomas iniciais, e o tempo médio para o diagnóstico é de quase dois anos”, explica a Dra. Márcia. No contexto latino-americano, o Brasil se destaca relativamente bem, com o menor tempo para o diagnóstico correto (14 meses) e a menor taxa de diagnósticos incorretos (44%).
A trama de Lígia também joga luz sobre o impacto psicossocial da doença. As pesquisas da MSD evidenciaram que cerca de 80% das mulheres com HAP apontam a depressão como um dos principais desafios. A doença, de fato, é mais prevalente em mulheres, especialmente em idade fértil.
“A influência do hormônio estrogênio e uma maior incidência de doenças autoimunes no sexo feminino, como lúpus e esclerodermia, são hipóteses para essa diferença”, complementa a Dra. Márcia.

Para mudar essa realidade, a atenção primária é identificada como peça-chave. “É a porta de entrada do paciente. Capacitar esses profissionais para reconhecer os sinais de alerta e agilizar o encaminhamento a especialistas é fundamental”, defende a médica.
Nêmora também vê a ficção como uma aliada poderosa. “Com a HAP em destaque na novela, temos uma oportunidade única de conscientização. Ampliar o conhecimento sobre a doença é o primeiro passo para melhorar o diálogo sobre as necessidades dos pacientes e o acesso aos melhores tratamentos”.
Dessa forma, a história de Lígia em Três Graças vai além do entretenimento, cumprindo um importante papel social ao educar o público sobre uma condição de saúde complexa, cujo diagnóstico precoce pode salvar vidas.


