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Exposição ‘Chamar o Rio’ chega à Christal Galeria nesta quinta (9)

O que acontece quando um rio ganha direitos legais? Essa é uma das questões que conduz a exposição coletiva ‘Chamar o Rio’, com curadoria de Paula Borghi, que a Christal Galeria inaugura, nesta quinta-feira (9), a partir das 19h. O título aciona um duplo sentido: chamar o rio pelo nome e, ao mesmo tempo, lutar por seus direitos. A abertura contará com uma performance dos artistas Ziel Karapotó e Olinda Tupinambá.

Inspirada pela filosofia do bem-viver, a exposição parte da ideia de que os rios têm o direito de existir como qualquer outro ser vivo, independentemente de possuírem forma humana, propondo uma reflexão sobre a natureza como sujeito de direito.

A exposição contará com um recorte territorial latino-americano de 16 artistas contemporâneos em atividade e com pesquisas que não fazem distinção entre cultura e natureza. São artistas indígenas e não indígenas da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, El Salvador, Porto Rico e Venezuela. Serão apresentados trabalhos em vídeo, performance, objeto, desenho, pintura, fotografia e foto-performance — todos questionando as fronteiras entre cultura e natureza, humanos e não humanos, conceitos centrais para a manutenção da matriz colonial de poder.

“No ano em que o Brasil sediará a COP 30, evento no qual líderes mundiais, cientistas e atores da sociedade civil se reunirão para discutir ações para mitigar as mudanças climáticas, é fundamental colocar este tema também na agenda cultural”, defende a curadora da exposição, Paula Borghi.

Segundo a fundadora da Christal Galeria, Christiana Asfora, a mostra coletiva é um chamado por novas formas de proteção ambiental alinhadas aos modos de vida dos povos originários. Nas últimas duas décadas, indígenas e ativistas não indígenas vêm reivindicando ações legais que reconheçam os rios como pessoas jurídicas para garantir sua saúde e preservação.

Alguns exemplos internacionais reforçam esse movimento. O Rio Whanganui, na Nova Zelândia — considerado ancestral do povo Mori — recebeu, em 2017, o status de pessoa jurídica. Desde então, representantes Mori participam de todos os conselhos e comitês responsáveis pela gestão da área, garantindo sua presença nas decisões sobre projetos de construção e intervenções ambientais.

No entanto, nem todos os casos têm sido bem-sucedidos. O Rio Atrato, na Colômbia, declarado entidade legal em 2016, segue com seus direitos violados devido à poluição causada pelo garimpo. “Nem todos os casos de reconhecimento dos rios como pessoas jurídicas são suficientes para a garantia de seus direitos, assim como ocorre com os das pessoas humanas”, acrescenta Paula Borghi.

Ao reunir obras que evocam as dimensões políticas e sagradas das águas, Chamar o Rio convida o público a refletir sobre a urgência de proteger os rios e a imaginar novas formas de convivência entre seres humanos e não humanos.

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