ALINE GOUVEIA
Correio Braziliense
A atriz e comediante Berta Loran morreu na madrugada de ontem, no Rio de Janeiro, aos 99 anos. Ela estava internada em um hospital particular de Copacabana. A causa da morte não foi divulgada.
Berta nasceu em Varsóvia, na Polônia, em 23 de março de 1926. Ela veio para o Brasil com 9 anos. Aos 19, Berta casou-se com o ator Suchar Handfuss e mudou-se para Buenos Aires, onde morou durante dois anos. Ela fez a estreia na televisão no programa Espetáculos Tonelux, estrelado por Virgínia Lane e dirigido por Mário Provenzano, na TV Tupi.
Em 1957, recebeu um convite para fazer uma temporada de seis meses em Portugal com a peça Fogo no Pandeiro. Com o sucesso do espetáculo, ingressou numa companhia de teatro local e acabou morando seis anos naquele país. Quando retornou ao Brasil, em 1963, foi contratada pela TV Record paulista. Em seguida, aceitou um convite de Oscar Ornstein para atuar ao lado de Moacyr Franco na temporada carioca do musical Como Vencer na Vida sem Fazer Força.
Em 1966, Berta Loran foi convidada por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, para trabalhar na Globo e participar do elenco fixo do humorístico Bairro Feliz. Junto com Grande Otelo, Nádia Maria e Amândio Silva Filho, ela participou de Riso Sinal Aberto, no mesmo ano. Entre 1968 e 1971, atuou ao lado de Agildo Ribeiro, Paulo Gracindo e Jô Soares no programa Balança Mas Não Cai. Esteve também em Faça Humor, Não Faça Guerra.
Em 1991, Berta Loran iniciou uma duradoura parceria com o humorista Chico Anysio. Primeiro, integrando o elenco de Estados Anysios de Chico City. Em seguida, vivendo a personagem portuguesa Manuela D’Além-Mar, na Escolinha do Professor Raimundo, entre 1990 e 1995. Na retomada da Escolinha, em 2001, deu vida à outra lusitana, Sara Rebeca.
A atriz ainda deixou sua marca nas novelas. Em 1984, fez uma dobradinha inesquecível com Ary Fontoura em Amor com Amor Se Paga. Já em 2011, foi a rainha-mãe Efigênia, em Cordel Encantado, mãe do rei Augusto de Seráfia (Carmo Dalla Vecchia). Em 2016, teve sua vida contada no livro Berta Loran: 90 anos de Humor, de João Luiz Azevedo.


